Por José Ribamar Bessa Freire* Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”. Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come. Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados. Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política. A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”. Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam. A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê? O mapa da fome A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre. Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil. Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando. Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta. Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal. Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem. Tudo vira bosta Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”. Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”. Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”. A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira. Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem? Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”. O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil… Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país. Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente. (*) Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) |
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
A FOME DE MARINA
domingo, 28 de março de 2010
Resposta à "quem desinventou o amor?".
Menina moça, eu vou te dar uma resposta
Não sei se é do tipo que você gosta
Mas vou te dar uma resposta
Tem coisa que a gente não conta e nem mostra
Que ouvir não é qualquer um que gosta
Mas vou te dar uma resposta
Oh, minha flor, lamento se também ecoou no seu peito
Aquela dor sem cura, sem jeito
Que já andou nesse peito meu
Quem desinventou o amor? Eu sei quem
Só pode ter sido alguém
Que nunca te conheceu
Não é fácil desamar essa moça
Tem que ser fraco, mas ela é força
Que não me deixa parar
Faz ZumZum pra você mesma ver
Como é certo de aparecer
Esse alguém que vai sempre te amar
Minha moça, eu vou te dar uma resposta
Não sei se é do tipo que você gosta
Mas vou te dar uma resposta...
Não sei se é do tipo que você gosta
Mas vou te dar uma resposta
Tem coisa que a gente não conta e nem mostra
Que ouvir não é qualquer um que gosta
Mas vou te dar uma resposta
Oh, minha flor, lamento se também ecoou no seu peito
Aquela dor sem cura, sem jeito
Que já andou nesse peito meu
Quem desinventou o amor? Eu sei quem
Só pode ter sido alguém
Que nunca te conheceu
Não é fácil desamar essa moça
Tem que ser fraco, mas ela é força
Que não me deixa parar
Faz ZumZum pra você mesma ver
Como é certo de aparecer
Esse alguém que vai sempre te amar
Minha moça, eu vou te dar uma resposta
Não sei se é do tipo que você gosta
Mas vou te dar uma resposta...
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Devir de evolução
Para evoluir a si
A si o ser volta
Mas não se revolta consigo como tal
O ser está so far...
E eu, so near
De ser neandertal
E o ser cria casa
E se domestica para ser humano ser
Inventa a roda e o fogo
E uma roda de fogo
Para pular no meio e o público ver
E aplaudir de pé
O ser acha que foi ou é
E no final eu sendo
Demá!
Ziá!
Damein!
Tixim!
Pans é!
A si o ser volta
Mas não se revolta consigo como tal
O ser está so far...
E eu, so near
De ser neandertal
E o ser cria casa
E se domestica para ser humano ser
Inventa a roda e o fogo
E uma roda de fogo
Para pular no meio e o público ver
E aplaudir de pé
O ser acha que foi ou é
E no final eu sendo
Demá!
Ziá!
Damein!
Tixim!
Pans é!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Eu não gosto de você!
Nunca tinha experimentado
Tanta liberdade de expressão.
Era muita emoção.
Uma sensação tão boa.
Meu coração acelerado
E você com aquela reação à toa?
Não pude entender;
Um 'eu não gosto de você',
Tão seco, sem clichê.
Era para simplesmente te arrasar.
Você tão cheia de personalidade
Encarou com tanta naturalidade
e me respondeu tão somente um "tá"?!?
"Tá" nem é verbo de verdade,
É menos que a metade
Não chega a ser uma expressão
Como se você não se importasse
Mas sei que se importa
Por isso, abra essa porta
Para que assim que eu dela passe
E possa
Finalmente te pedir perdão!
Tanta liberdade de expressão.
Era muita emoção.
Uma sensação tão boa.
Meu coração acelerado
E você com aquela reação à toa?
Não pude entender;
Um 'eu não gosto de você',
Tão seco, sem clichê.
Era para simplesmente te arrasar.
Você tão cheia de personalidade
Encarou com tanta naturalidade
e me respondeu tão somente um "tá"?!?
"Tá" nem é verbo de verdade,
É menos que a metade
Não chega a ser uma expressão
Como se você não se importasse
Mas sei que se importa
Por isso, abra essa porta
Para que assim que eu dela passe
E possa
Finalmente te pedir perdão!
domingo, 17 de janeiro de 2010
Labirinto Lúcido
No labirinto desenhado de tua pela
E nas gélidas formas que te são profundas
Que misturo minhas fantasias
A tuas imagens lúcidas
E te convido a se perder
Igualmente em meu labirinto
Não te faço juras de amor
Pois só juro quando minto
O que eu faço pra te entender?
O que eu faço pra me explicar?
O que não faria pra me perder e te ganhar?
E o que eu faço pra me entender?
O que eu faço pra te explicar?
Que faria tudo pra me perder
E te encontrar?
E nas gélidas formas que te são profundas
Que misturo minhas fantasias
A tuas imagens lúcidas
E te convido a se perder
Igualmente em meu labirinto
Não te faço juras de amor
Pois só juro quando minto
O que eu faço pra te entender?
O que eu faço pra me explicar?
O que não faria pra me perder e te ganhar?
E o que eu faço pra me entender?
O que eu faço pra te explicar?
Que faria tudo pra me perder
E te encontrar?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Encontro Marxista
Nada do que consegui foi fácil pra mim
Fico feliz por ter sido assim
Já recebi todo o tipo de não:
Da vida; não na minha sina; não sobre as minhas vistas
E agora tudo que eu tenho posso chamar de conquista
E agradeço ao "sistema" por ser a merda que é
Pois posso reclamar e bater o pé
Para que alguma mudança se faça
Ou não teria graça
Tudo estar tão certo
Por perto, ao alcance da mão
Tudo tão simples
Que eu diria
Simplismente: não!
Quando nada está da forma que a gente quer
Dizem que quando não é pra, ser não é
Mas pra deixar tudo da forma que a gente quer
Tenha força e fé.
Fico feliz por ter sido assim
Já recebi todo o tipo de não:
Da vida; não na minha sina; não sobre as minhas vistas
E agora tudo que eu tenho posso chamar de conquista
E agradeço ao "sistema" por ser a merda que é
Pois posso reclamar e bater o pé
Para que alguma mudança se faça
Ou não teria graça
Tudo estar tão certo
Por perto, ao alcance da mão
Tudo tão simples
Que eu diria
Simplismente: não!
Quando nada está da forma que a gente quer
Dizem que quando não é pra, ser não é
Mas pra deixar tudo da forma que a gente quer
Tenha força e fé.
sábado, 17 de outubro de 2009
Bis
Ela sai de saia
Roda e a saia levanta
Ela é a mulher do samba
Ele veste a calça
Firme e confiante
Ele é o homem do funk
Ela sai da gafieira
Ele desce a ladeira
Zoam na pista
Com vista pra praia
Ele se distrái
Com um tango-trance-africano
Ela espera que a fera se tráia
Seus olhos se cruzam
Os corpos querem também
Os arrepios dizem a que vem
Ela propõe que tudo vá para o inferno
Ele propõe que os anjos digam amém
Ele toca a sua saia
Ele diz que a ama
Ela o faz a mulher na cama
Ela tira a sua calça
Ela é puro fogo
Ele a faz o homem no jogo...
Roda e a saia levanta
Ela é a mulher do samba
Ele veste a calça
Firme e confiante
Ele é o homem do funk
Ela sai da gafieira
Ele desce a ladeira
Zoam na pista
Com vista pra praia
Ele se distrái
Com um tango-trance-africano
Ela espera que a fera se tráia
Seus olhos se cruzam
Os corpos querem também
Os arrepios dizem a que vem
Ela propõe que tudo vá para o inferno
Ele propõe que os anjos digam amém
Ele toca a sua saia
Ele diz que a ama
Ela o faz a mulher na cama
Ela tira a sua calça
Ela é puro fogo
Ele a faz o homem no jogo...
domingo, 27 de setembro de 2009
Da inexistência do amor
Não existe aquele determinado amor
Que determinado poeta determinou
Mas aquele outro amor
Que outro poeta outrou
Este sim.
Amor:
Assentamento para qualquer sentimento desastroso
Ou melhor:
Tempero para o sexo ser ainda mais gostoso
Algo que se nega de longe
Ainda que se sinta de perto
Conceito tão errado que é o único
Que nesse mundo ainda é certo.
Que determinado poeta determinou
Mas aquele outro amor
Que outro poeta outrou
Este sim.
Amor:
Assentamento para qualquer sentimento desastroso
Ou melhor:
Tempero para o sexo ser ainda mais gostoso
Algo que se nega de longe
Ainda que se sinta de perto
Conceito tão errado que é o único
Que nesse mundo ainda é certo.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Leviandade.
Sou leve, leviano.
Em forma, cor e som
Em incorporação
Da mente que sente
A breve brisa passante.
Navego por imagens rasas.
Deturpo, perturbo e entorpeço
O endereço do que sinto
E não sinto peso.
Pois sou leve, leviano.
Em forma, cor e som
Em incorporação
Da mente que sente
A breve brisa passante.
Navego por imagens rasas.
Deturpo, perturbo e entorpeço
O endereço do que sinto
E não sinto peso.
Pois sou leve, leviano.
sábado, 4 de julho de 2009
Limiar
Meu mundo pára onde ela começa
Mas de todo sonho a gente desperta
Toda alma fracionada é extirpada
E toda a solidão é refletida
Em um um espelho convexo
Na fachada de um rosto
Que se acostumou em fingir
Saber ser feliz.
Mas de todo sonho a gente desperta
Toda alma fracionada é extirpada
E toda a solidão é refletida
Em um um espelho convexo
Na fachada de um rosto
Que se acostumou em fingir
Saber ser feliz.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Soneto Assíncrono
A história descobrirá que Alexandre preferia ser médio
A ciência descobrirá que toda a ciência é mentira
E Deus perceberá o quão certo estão os ateus
O homem descobrirá que pra nada servira
Os donos descobrirão que nada são seus
E os médicos descobrirão que a morte é o remédio
Só porque eu quero.
E você também há de querer
Um mundo feito com mais poesias
Isso porque eu quero
E não me canso de querer
Só não quero que rime no final.
Por favor, não! Não rime no final!
A ciência descobrirá que toda a ciência é mentira
E Deus perceberá o quão certo estão os ateus
O homem descobrirá que pra nada servira
Os donos descobrirão que nada são seus
E os médicos descobrirão que a morte é o remédio
Só porque eu quero.
E você também há de querer
Um mundo feito com mais poesias
Isso porque eu quero
E não me canso de querer
Só não quero que rime no final.
Por favor, não! Não rime no final!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Sementes de Circe
Respeitável público!
Circe, o agricultor palhaço, semeou! Suas sementes deram as más frutas de melhor qualidade do mundo. Coma e morra! Coma e se mate! Se mate e coma, por favor.
Caos não se rega, é a regra. Não a ignore. Não a regra, mas a semente.
Circe não colhe seus frutos. Ele deixa Newton fazer seu trabalho. Que apodreçam no chão. Pobres viajantes desavisados... Estes sim, colhem e comem – colhem do chão.
Há frutas de comer, diz Circe, e frutas de não-comer, Circe diz. Mas o não-comer não as tornam mais aerodinâmicas. Não, mesmo. As caras não as recebem bem e suas sementes se vão em muitas águas... com sabão.
Fruta que é fruta apodrece no chão. Somente sementes, diz Circe, não.
Circe, o agricultor palhaço, semeou! Suas sementes deram as más frutas de melhor qualidade do mundo. Coma e morra! Coma e se mate! Se mate e coma, por favor.
Caos não se rega, é a regra. Não a ignore. Não a regra, mas a semente.
Circe não colhe seus frutos. Ele deixa Newton fazer seu trabalho. Que apodreçam no chão. Pobres viajantes desavisados... Estes sim, colhem e comem – colhem do chão.
Há frutas de comer, diz Circe, e frutas de não-comer, Circe diz. Mas o não-comer não as tornam mais aerodinâmicas. Não, mesmo. As caras não as recebem bem e suas sementes se vão em muitas águas... com sabão.
Fruta que é fruta apodrece no chão. Somente sementes, diz Circe, não.
Há uma canção pra cada vez que te vejo
Sim, eu sei que só te vi uma vez
E já confundi assovio, mordida e beijo
O grito, num cínico silêncio se desfez
Há uma canção pra cada vez que te vejo
Que não é de saudade, pois eu nunca a tive
Nem é de paixão, pois se sobrevive
Que não é sobre dor, pois eu nada sinto
Nem de superação, pois não me limito
Não é de desabafo, não há nada errado
Não é de perdão, pois não há pecado
Não é sobre orgulho, pois não a mereço
E muito menos de amor, pois nem a conheço.
E já confundi assovio, mordida e beijo
O grito, num cínico silêncio se desfez
Há uma canção pra cada vez que te vejo
Que não é de saudade, pois eu nunca a tive
Nem é de paixão, pois se sobrevive
Que não é sobre dor, pois eu nada sinto
Nem de superação, pois não me limito
Não é de desabafo, não há nada errado
Não é de perdão, pois não há pecado
Não é sobre orgulho, pois não a mereço
E muito menos de amor, pois nem a conheço.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Preferências
Gosto da terra, mas prefiro o mar
Gosto de montanha, mas prefiro a praia
Gosto do Sol, mas prefiro a Lua
Gosto das tuas roupas, mas prefiro nua
Gosto do sal, mas prefiro o adocicado
Gosto de uva, mas prefiro o vinho
Gosto de cinema, mas prefiro a música
Gosto da tua testa, mas prefiro a nuca
Gosto do urbano, mas prefiro o selvagem
Gosto dos retratos, mas prefiro paisagens
Gosto de chuveiro, mas prefiro a chuva
Gosto da tua retidão, mas prefiro suas curvas
Gosto de ficar sozinho, mas prefiro acompanhado
Gosto do programado, mas prefiro o espontâneo
Gosto de faz-de-conta, mas prefiro pra valer
Gosto de lambê-la, mas prefiro te morder
Gosto de crer, mas prefiro duvidar
Gosto de partir, mas prefiro ficar
Gosto de você, mas prefiro te amar
Como gosto de preferir, mas prefiro gostar.
Gosto de montanha, mas prefiro a praia
Gosto do Sol, mas prefiro a Lua
Gosto das tuas roupas, mas prefiro nua
Gosto do sal, mas prefiro o adocicado
Gosto de uva, mas prefiro o vinho
Gosto de cinema, mas prefiro a música
Gosto da tua testa, mas prefiro a nuca
Gosto do urbano, mas prefiro o selvagem
Gosto dos retratos, mas prefiro paisagens
Gosto de chuveiro, mas prefiro a chuva
Gosto da tua retidão, mas prefiro suas curvas
Gosto de ficar sozinho, mas prefiro acompanhado
Gosto do programado, mas prefiro o espontâneo
Gosto de faz-de-conta, mas prefiro pra valer
Gosto de lambê-la, mas prefiro te morder
Gosto de crer, mas prefiro duvidar
Gosto de partir, mas prefiro ficar
Gosto de você, mas prefiro te amar
Como gosto de preferir, mas prefiro gostar.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Para concordar
Se você estivesse no meu lugar
E visse o que vi
Com os olhos que olhei
Pelo ângulo que observei
E analisasse da forma que analisei
De forma a tirar as conclusões que tirei
Então você não seria você...
...Mas concordaria comigo.
E visse o que vi
Com os olhos que olhei
Pelo ângulo que observei
E analisasse da forma que analisei
De forma a tirar as conclusões que tirei
Então você não seria você...
...Mas concordaria comigo.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Pesadelo Normal
Tive um pesadelo normal
Típico de um sonho mal
No qual pra faculdade eu ia
Para apresentar minha monografia
Eis que surge um professor de minha banca
Me olha de cima a baixo e se espanta
Reclama feito um mala-sem-alça
- Rodrigo, tu vieste sem calça!? -
A acusação era pura verdade
Viera eu sem calça à faculdade
Mas não via atentado ao pudor
Afinal, fazia muito calor
- Apresentação de monografia é solenidade -
Dizia o professor, sem piedade
- Esteja de calça diante de mim
Não podes apresentar a monografia assim -
Sem calça, frustrado, tive uma epifania
Henrique Sá compadecera-se de minha agonia
E enquanto tudo era por ele filmado
Fez-me uma proposta que me deixara tentado
- Veste minha calça, não preciso dela
Sou um poeta do absurdo, só preciso de janelas -
Agradeci ao meu amigo por seu gesto nobre
- Tuas calças mais valeram que prata, ouro e cobre -
E de calça apresentei-me, mas de nada valia
Estava atrás de uma mesa e a calça sequer aparecia
Foi quando de súbito percebi que estava acordado
E que em momento algum estive eu pelado
Só era encarcerado
Pela norma mais uma vez
Respirei então aliviado
- Sem calça estão vocês!
Típico de um sonho mal
No qual pra faculdade eu ia
Para apresentar minha monografia
Eis que surge um professor de minha banca
Me olha de cima a baixo e se espanta
Reclama feito um mala-sem-alça
- Rodrigo, tu vieste sem calça!? -
A acusação era pura verdade
Viera eu sem calça à faculdade
Mas não via atentado ao pudor
Afinal, fazia muito calor
- Apresentação de monografia é solenidade -
Dizia o professor, sem piedade
- Esteja de calça diante de mim
Não podes apresentar a monografia assim -
Sem calça, frustrado, tive uma epifania
Henrique Sá compadecera-se de minha agonia
E enquanto tudo era por ele filmado
Fez-me uma proposta que me deixara tentado
- Veste minha calça, não preciso dela
Sou um poeta do absurdo, só preciso de janelas -
Agradeci ao meu amigo por seu gesto nobre
- Tuas calças mais valeram que prata, ouro e cobre -
E de calça apresentei-me, mas de nada valia
Estava atrás de uma mesa e a calça sequer aparecia
Foi quando de súbito percebi que estava acordado
E que em momento algum estive eu pelado
Só era encarcerado
Pela norma mais uma vez
Respirei então aliviado
- Sem calça estão vocês!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Hoje, Ontem e Amanhã
Ontem comentarei sobre o que descobri amanhã.
Amanhã é o hoje que ainda não acontece,
Assim como o ontem é o amanhã que já terminou.
Enquanto o hoje é o ontem e o amanhã que ainda (ou já) está acontecendo.
O futuro é tão intangível.
O passado é tão imutável.
O presente...
Tão inegável.
Quanto tempo preciso.
Quanto tempo preciso,
Para ver a retórica do tempo?
Amanhã é o hoje que ainda não acontece,
Assim como o ontem é o amanhã que já terminou.
Enquanto o hoje é o ontem e o amanhã que ainda (ou já) está acontecendo.
O futuro é tão intangível.
O passado é tão imutável.
O presente...
Tão inegável.
Quanto tempo preciso.
Quanto tempo preciso,
Para ver a retórica do tempo?
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Poema Cris-talino
Cris e etc.
Cris-tal
Me e tão clara
A poetisa
Mais que o Nirvana
E que o Tao
A gema clara
Cris-tal
Crises e eu
(Cris no plural)
Me é tão rara
A divisa
Mais que o bem
E que o mal
Um poema para
Cris-tal.
Cris-tal
Me e tão clara
A poetisa
Mais que o Nirvana
E que o Tao
A gema clara
Cris-tal
Crises e eu
(Cris no plural)
Me é tão rara
A divisa
Mais que o bem
E que o mal
Um poema para
Cris-tal.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Modesto e Perfeito
Vim direto do paraíso
Transformando toda dor em riso
Feito da matéria da qual é feito o Amor
Deixa de lado a razão
Raciocine pela emoção
Só assim entenderás o que eu sou
Às vezes tapado feito uma porta
Meio relapso, mas quem se importa?
Não vejo nenhum problema que isso possa nos causar
A não ser que até você fique andando
Pela cabeça de uns que ficam maquinando
Alguma coisa pra nos prejudicar
E se disserem que sou exibido
Egoísta, egocêntrico e até pervertido
Ou tantos outros que esse povo me chama
Lembre-se que eles estão mentindo
Que não são esses meus adjetivos
Pensando bem, são, mas não ligo
Pois todo mundo me ama
Eu sei que tenho muitos defeitos
E só duas qualidades: modesto e perfeito
Ser vaidoso e não fazer nada direito
Não me impede de ser modesto e perfeito
Se eu desisto de coisas da minha própria vida
Antes mesmo da primeira tentativa
É porque, de fazer, eu já não tinha vontade
E se alguma vez alguém já ouvira
Dizer algo falso, não era mentira.
Mas uma astuciosa reinvenção da verdade
Por tanto se eu errar (com você)
Vê se me perdoa
Pois será um erro de coisinha à toa
É até chato dizer algo assim
Mas você não encontrará ninguém igual a mim
Naturalmente distraído,
O mais certo ‘cara errado’
Completamente apaixonado
E de narciso infinito
Transformando toda dor em riso
Feito da matéria da qual é feito o Amor
Deixa de lado a razão
Raciocine pela emoção
Só assim entenderás o que eu sou
Às vezes tapado feito uma porta
Meio relapso, mas quem se importa?
Não vejo nenhum problema que isso possa nos causar
A não ser que até você fique andando
Pela cabeça de uns que ficam maquinando
Alguma coisa pra nos prejudicar
E se disserem que sou exibido
Egoísta, egocêntrico e até pervertido
Ou tantos outros que esse povo me chama
Lembre-se que eles estão mentindo
Que não são esses meus adjetivos
Pensando bem, são, mas não ligo
Pois todo mundo me ama
Eu sei que tenho muitos defeitos
E só duas qualidades: modesto e perfeito
Ser vaidoso e não fazer nada direito
Não me impede de ser modesto e perfeito
Se eu desisto de coisas da minha própria vida
Antes mesmo da primeira tentativa
É porque, de fazer, eu já não tinha vontade
E se alguma vez alguém já ouvira
Dizer algo falso, não era mentira.
Mas uma astuciosa reinvenção da verdade
Por tanto se eu errar (com você)
Vê se me perdoa
Pois será um erro de coisinha à toa
É até chato dizer algo assim
Mas você não encontrará ninguém igual a mim
Naturalmente distraído,
O mais certo ‘cara errado’
Completamente apaixonado
E de narciso infinito
Bronha Blog Blues
Nestes dias tão cinzentos
Nos quais acordo tão triste
Posto em meu blog
Uma música que nem existe...
E toco uma
pensando em vocês.
Eu toco uma canção pensando em vocês
Nesse dias de inferno
Eu sei o caminho do paraíso
Escrevo uma música
Louca e sem juízo...
E toco outra
pensando em vocês.
Eu toco outra canção pensando em vocês
E se vocês escreverem
Vários comentários de uma vez
Eu toco uma pensando em vocês.
Elogiem o que está escrito
Elogie quem o fez
E eu toco outra canção pensando em vocês.
Pois se a pessoa certa
Comenta animada
Até a minha alma
Fica excitada
E já nem me preocupo
Se cansa a minha mão
Eu bato, toco, bato
As cordas do meu violão
E toco uma
pensando em vocês.
Eu toco uma canção pensando em vocês.
Mas todo esse problema
Dá-se ao fato
Que de mim sou desafeto
Ai de mim, pobre, ingrato
É por isso que eu passo
Por toda essa vergonha
Eu mato o meu tempo
Postando em blogs...
Pensando em vocês!
Eu posto uma canção pensando em vocês.
Nos quais acordo tão triste
Posto em meu blog
Uma música que nem existe...
E toco uma
pensando em vocês.
Eu toco uma canção pensando em vocês
Nesse dias de inferno
Eu sei o caminho do paraíso
Escrevo uma música
Louca e sem juízo...
E toco outra
pensando em vocês.
Eu toco outra canção pensando em vocês
E se vocês escreverem
Vários comentários de uma vez
Eu toco uma pensando em vocês.
Elogiem o que está escrito
Elogie quem o fez
E eu toco outra canção pensando em vocês.
Pois se a pessoa certa
Comenta animada
Até a minha alma
Fica excitada
E já nem me preocupo
Se cansa a minha mão
Eu bato, toco, bato
As cordas do meu violão
E toco uma
pensando em vocês.
Eu toco uma canção pensando em vocês.
Mas todo esse problema
Dá-se ao fato
Que de mim sou desafeto
Ai de mim, pobre, ingrato
É por isso que eu passo
Por toda essa vergonha
Eu mato o meu tempo
Postando em blogs...
Pensando em vocês!
Eu posto uma canção pensando em vocês.
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